Mostrando postagens com marcador interior. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador interior. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de março de 2017

Prioridade da vida interior sobre a vida ativa

Em Deus está a vida, toda a vida. Ele é a própria vida. Ora, não é nas obras exteriores, como a Criação, que o Ser infinito manifesta essa vida do modo mais intenso, mas sim no que a teologia chama operações ad intra: essa atividade inefável cujo termo é a geração perpétua do Filho e a incessante processão do Espírito Santo. Essa é, por excelência, a sua obra essencial, eterna. 
A vida terrena de Nosso Senhor Jesus Cristo foi a realização perfeita do plano divino. Trinta anos de recolhimento, seguidos de quarenta dias de retiro e penitência, prepararam a sua curta carreira evangélica; e, durante as suas jornadas apostólicas, quantas vezes ainda, O vemos retirar-se para as montanhas ou para os desertos, a fim de orar: "Ele retirava-se para lugares solitários e entregava-Se aí à oração" (Lc 5, 16). Ou passar a noite a rezar: "Naqueles dias, Jesus foi para o monte a fim de fazer oração, e passou a noite a orar a Deus" (Lc 6,12). Rasgo ainda mais significativo: Marta deseja que o Senhor, condenando a suposta ociosidade da sua irmã, proclame a superioridade da vida ativa; a resposta de Jesus: "Maria escolheu a melhor parte" (Lc 10, 42), consagra a importância da vida interior. Jesus quis, pois, fazer-nos ver, claramente, a preponderância da vida de oração sobre a vida ativa. 
Os Apóstolos, fiéis aos exemplos do Mestre, reservaram para si o ofício da oração e o ministério da palavra, deixando as ocupações mais exteriores aos diáconos: "Quanto a nós, entregar-nos-emos, assiduamente, à oração e ao exercício da palavra" (At 6,4). 
Os Papas, os santos doutores e os teólogos afirmam, por sua vez, que a vida interior é superior à vida ativa.

CHAUTARD, Jean-Baptiste. A alma de todo o apostolado. São Paulo: Artpress. 2015. 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Da pureza de coração e de sua importância

I - A pureza de coração consiste em não ter no coração coisa alguma contrária a Deus e à operação da graça. 
II - O primeiro meio para chegar à perfeição é a pureza de coração. Depois dela vêm os preceitos e a doutrina espiritual dos livros, depois a direção e a fiel cooperação à graça. 
III - Quando o coração está bem puro, Deus enche a alma e todas as suas potências com sua presença e o seu amor: a memória, o entendimento, a vontade. 
Assim a pureza de coração conduz à união divina e a isso não se pode chegar por outros caminhos. 
IV - O caminho mais curto e mais seguro para chegar à perfeição, é a preparação para a pureza de coração antes que para o exercício das virtudes, porque Deus está pronto para nos conceder todas as espécies de graça desde que não lhe ponhamos obstáculos. 
Santo Inácio dizia que os próprios santos punham grandes obstáculos às graças de Deus. 
V - Entre todos os exercícios da vida espiritual, a nenhum o demônio opõe maior obstáculo que à pureza de coração. 
Ele nos permitirá fazer atos exteriores de virtude. 

DEHON, Padre Léon. A vida interior. Seus princípios, suas vias diversas e sua prática; conforme os melhores autores ascéticos. São Paulo: Livre, 2016. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

A vida da graça e o valor da primeira conversão

"Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim tem a vida eterna" (Jo 6, 47). 

A vida interior é para cada um de nós o único necessário. Ela deveria desenvolver-se constantemente em nossa alma, muito mais do que aquilo que chamamos de vida intelectual, científica, artística ou literária. Ela é a vida profunda da alma, do homem inteiro e não apenas de uma ou outra de suas faculdades. A própria intelectualidade ganharia muito se, em lugar de querer suplantar a espiritualidade, reconhecesse sua necessidade, sua grandeza e se beneficiasse da sua influência, que é a das virtudes teologais e dos dons do Espírito Santo. 
Como é grave e profundo este assunto, que é expresso por estas duas palavras: Intelectualidade e Espiritualidade! Também é bastante evidente que sem uma vida interior não há como manter-se uma influência social verdadeiramente profunda e durável. 

LAGRANGE, Garrigou. As 3 vias e as três conversões. Niterói: Permanência. 2011