Os monges desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da civilização ocidental. A julgar pelas práticas de ascese a que se dedicavam, dificilmente se poderia imaginar o enorme impacto que viriam a provocar no mundo exterior. Mas esse fato histórico surpreende menos quando nos lembramos das palavras de Cristo: Procurai primeiro o reino dos céus e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Essa é, em poucas palavras, a história dos monges.
As formas mais antigas da vida monástica surgem já no século III. Encontramo-las em São Paulo de Tebas e nos mais popularmente Santo Antão do Egito (também conhecido como Santo Antão do deserto), que viveu entre os meados do século III e os do IV, e se fez eremita, retirando-se para os desertos do Egito em busca da sua perfeição espiritual pessoal; o que não impediu que o seu grande exemplo tivesse levado milhares a juntar-se a ele.
A vida dos eremitas tinha por característica que se retiravam para um lugar remoto e solitário, a fim de poderem renunciar às coisas mundanas e concentra-se intensamente na sua vida espiritual. Viviam sozinhos ou em grupos de dois ou três, habitavam em cavernas ou em cabanas simples, e sustentavam-se com o que pudessem produzir nos seus pequenos campos ou com trabalhos como o fabrico manual de cestos. A ausência de uma autoridade que dirigisse o seu regime espiritual levou alguns deles a observar práticas espirituais e penitenciais pouco comuns. De acordo com Philip Hughes, um competente historiador da Igreja, "havia eremitas que mal comiam ou dormiam, e outros que permaneciam imóveis por semanas a fio ou se fechavam em tumbas e lá permaneciam durante anos, recebendo apenas um mínimo de comida através de fendas na parede".
JR, Thomas E. Woods. Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante. 2010
