Mostrando postagens com marcador monges. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador monges. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Como os monges salvaram a civilização

Os monges desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da civilização ocidental. A julgar pelas práticas de ascese a que se dedicavam, dificilmente se poderia imaginar o enorme impacto que viriam a provocar no mundo exterior. Mas esse fato histórico surpreende  menos quando nos lembramos das palavras de Cristo: Procurai primeiro o reino dos céus e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Essa é, em poucas palavras, a história dos monges. 
As formas mais antigas da vida monástica surgem já no século III. Encontramo-las em São Paulo de Tebas e nos mais popularmente Santo Antão do Egito (também conhecido como Santo Antão do deserto), que viveu entre os meados do século III e os do IV, e se fez eremita, retirando-se para os desertos do Egito em busca da sua perfeição espiritual pessoal; o que não impediu que o seu grande exemplo tivesse levado milhares a juntar-se a ele. 
A vida dos eremitas tinha por característica que se retiravam para um lugar remoto e solitário, a fim de poderem renunciar às coisas mundanas e concentra-se intensamente na sua vida espiritual. Viviam sozinhos ou em grupos de dois ou três, habitavam em cavernas ou em cabanas simples, e sustentavam-se com o que pudessem produzir nos seus pequenos campos ou com trabalhos como o fabrico manual de cestos. A ausência de uma autoridade que dirigisse o seu regime espiritual levou alguns deles a observar práticas espirituais e penitenciais pouco comuns. De acordo com Philip Hughes, um competente historiador da Igreja, "havia eremitas que mal comiam ou dormiam, e outros que permaneciam imóveis por semanas a fio ou se fechavam em tumbas e lá permaneciam durante anos, recebendo apenas um mínimo de comida através de fendas na parede". 

JR, Thomas E. Woods. Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental. São Paulo: Quadrante. 2010

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Deserto e Tentação

O deserto é um dos grandes temas do monaquismo. Os monges vão conscientemente para o deserto para ali estar a sós consigo mesmos e para procurar a Deus. O deserto era considerado pelos antigos como a morada dos demônios. Antão foi para o deserto na intenção de lutar com os demônios dentro de seu próprio domínio, isto é, dentro de sua própria habitação. A decisão de Antão de instalar-se no domínio dos demônios foi certamente uma decisão bastante heroica, mas foi também um desafio aos demônios na medida em que eles o visitavam e sempre de novo procuravam reconquistar seu próprio domínio e habitação, expulsando-o dali. Antão acreditava que, em empreendendo sua luta contra os demônios, também nos homens do mundo alguma coisa haveria de tornar-se mais transparente e saudável. Pois, se vencesse os demônios, então eles também teriam menos poder sobre os homens do mundo. Neste ponto, Antão, por meio de sua luta com os demônios, torna-se também um representante do mundo. No deserto Antão luta contra os demônios em favor dos homens. Esta é sua contribuição para a melhoria do mundo, pois, tendo-se retirado dele, se põe em luta com os demônios em vista de um mundo mais saudável. Segundo Antão, o deserto é o lugar em que os demônios se apresentam de uma maneira bastante clara, isto é, de uma maneira menos dissimulada. Assim como Jesus fora tentado pelo diabo no deserto ao ser conduzido para lá pelo Espírito  Santo, do mesmo modo os monges que vão para o deserto precisam contar com a luta contra os demônios. O monge é essencialmente um lutador. E os patriarcas sempre são elogiados quando se tornam vencedores na luta. 

GRUN, Anselm. O céu começa em você. Petrópolis: Vozes. 2014