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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O ensino na Idade Média

Outra marca registrada na Idade Média, e que foi a base da Civilização Ocidental, foi o ensino. É grave calúnia dizer que a Igreja tinha o interesse em manter o povo na ignorância para dominá-los; os fatos mostram o contrário; e contra fatos não há argumentos. 
No século VI, São Cesário de Arles já expunha no Concílio de Vaison (529) a necessidade imperiosa de criar escolas no campo; e os bispos se dedicaram a isto. Da mesma forma foi a Igreja quem montou para Carlos Magno (814), a sua política escolar; e retomou a tarefa educadora no século X após o fim do seu Império. O III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III (1159-1181), ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Obrigou a todas as dioceses terem ao menos uma. Essas escolas foram as sementes das Universidades que logo surgiram: Sorbonne (Paris), Bolonha (Itália), Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha), Salerno e Raviera na Itália; Coimbra em Portugal, La Sapienza (Roma). 
Os níveis escolares eram três: primário, secundário e superior. Na base, estavam as escolas paroquiais, "as pequenas escolas". 
No plano superior havia as escolas monásticas e as escolas das catedrais e capitulares, correspondente ao ensino secundário. No século XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no século XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete aos vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em "trivium" (gramática, dialética e retórica) e "quadrivium" (aritmética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o "trivium e o quadrivium" eram apenas um meio e que o fim era "formas almas na verdade e na sabedoria". O importante era o conjunto do saber humano, hoje tão desprezado. 
Em muitas escolas os alunos tinham ensino técnico de como trabalhar com o ouro, prata e cobre. Aos poucos surgiam as especializações: Chartres (letras), Paris (teologia), Bolonha (direito), Salerno  e Montpellier (medicina). 

AQUINO, Felipe. Uma história que não é contada. São Paulo: Cléofas. 2015

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Martinho Lutero e o chamado à Revolta

Reforma é o nome que damos à grande revolução  religiosa do século XVI que destruiu a unidade da cristandade medieval, criou uma nova Europa de Estados soberanos e Igrejas separadas, e perdurou, com pequenas mudanças, até a Revolução Francesa. A catástrofe religiosa estava implícita na evolução gradual da Baixa Idade Média. Surgiu porque a existência de uma sociedade internacional unificada sob autoridade e liderança da Igreja era inconsistente com a nova ordem temporal, como expressa pelos Estados e monarquias nacionais. O conflito inevitável entre Igreja e Estado só poderia levar à desordem. Em particular, a posição anômala do bispo como um funcionário importante em ambas as sociedades levou à secularização da Igreja e ao acúmulo de abusos que nem a Igreja ou o Estado eram capazes de remediar, em decorrência da confusão de pessoas e jurisdições. 
O sistema hierárquico da igreja medieval sucumbira, e ninguém era forte ou corajoso o bastante para implementar as drásticas reformas necessárias. Todos estavam de acordo, na teoria, a respeito dos principais males: primeiro, o pluralismo ou acúmulo de benefícios eclesiásticos nas mãos de um único homem e, como resultado direto, a ausência de domicílio; segundo, a simonia ou a dependência de nomeações eclesiásticas e privilégios espirituais sobre a moeda; terceiro, a negligência da regra canônica para visitas episcopais e sínodos diocesanos; e, em quarto lugar, o baixo nível de instrução do clero e a ignorância religiosa do laicato. 

DAWSON, Christopher. A Divisão da Cristandade: Da Reforma Protestante à Era do Iluminismo. São Paulo: É Realizações, 2014.