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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Desde quando a Igreja passou a usar o nome Católica?

O adjetivo católica é anterior ao nascimento da Igreja. Em grego, katholikos quer dizer aquilo que é conforme o todo. Hoje em dia, a palavra equivalente seria holística. De uma forma geral, a tradução para a palavra católica é universal, contudo, o sentido dela é muito mais amplo. 
O primeiro documento histórico que contém o adjetivo católica referindo-se à Igreja é uma carta de Santo Inácio de Antioquia à Igreja de Esmirna, escrita após a sua prisão, que o levou ao martírio em Roma:

Segui o Bispo, vós todos, como Jesus Cristo ao Pai. Segui ao presbítero como aos Apóstolos. Respeita os diáconos como ao preceito de Deus. Ninguém ouse fazer sem o Bispo coisa alguma concernente à Igreja. Como válida só tenha a Eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu. A comunidade se reúne onde estiver o Bispo e onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica. Sem a união do Bispo não é lícito Batizar nem celebrar a Eucaristia; só o que tiver a sua aprovação será do agrado de Deus e assim será firme e seguro o que fizeres. 

Onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica, segundo Santo Inácio. Mas, essa palavra era usada também em outro sentido, por exemplo, São Justino quando escreveu o Diálogo a Trifão, usou a mesma palavra para referir-se à ressurreição geral, de todas as pessoas. O termo se aplicava também à universalidade do número das pessoas, numa imagem da Igreja que acolhe a todos em seu seio. 
A partir do século IV, com o surgimento de várias heresias, um outro sentido foi dado à palavra católica. São Cirilo de Jerusalém para comparar a fé ortodoxa com a fé herética, usa o termo fé católica. Ou seja, a verdadeira fé aceita a totalidade das verdades reveladas, enquanto a fé herética escolhe aquilo em que quer acreditar, selecionando o que mais lhe convém e rejeitando os demais conteúdos da fé. 

RICARDO, Paulo. A resposta Católica. Um pequeno manual para grandes questões. Volume 1. São Paulo: Cléofas. 2013

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Martinho Lutero e o chamado à Revolta

Reforma é o nome que damos à grande revolução  religiosa do século XVI que destruiu a unidade da cristandade medieval, criou uma nova Europa de Estados soberanos e Igrejas separadas, e perdurou, com pequenas mudanças, até a Revolução Francesa. A catástrofe religiosa estava implícita na evolução gradual da Baixa Idade Média. Surgiu porque a existência de uma sociedade internacional unificada sob autoridade e liderança da Igreja era inconsistente com a nova ordem temporal, como expressa pelos Estados e monarquias nacionais. O conflito inevitável entre Igreja e Estado só poderia levar à desordem. Em particular, a posição anômala do bispo como um funcionário importante em ambas as sociedades levou à secularização da Igreja e ao acúmulo de abusos que nem a Igreja ou o Estado eram capazes de remediar, em decorrência da confusão de pessoas e jurisdições. 
O sistema hierárquico da igreja medieval sucumbira, e ninguém era forte ou corajoso o bastante para implementar as drásticas reformas necessárias. Todos estavam de acordo, na teoria, a respeito dos principais males: primeiro, o pluralismo ou acúmulo de benefícios eclesiásticos nas mãos de um único homem e, como resultado direto, a ausência de domicílio; segundo, a simonia ou a dependência de nomeações eclesiásticas e privilégios espirituais sobre a moeda; terceiro, a negligência da regra canônica para visitas episcopais e sínodos diocesanos; e, em quarto lugar, o baixo nível de instrução do clero e a ignorância religiosa do laicato. 

DAWSON, Christopher. A Divisão da Cristandade: Da Reforma Protestante à Era do Iluminismo. São Paulo: É Realizações, 2014.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Penetrando na Misericórdia

Por que Deus permite o mal? Mais uma vez, o cético vai observar que Deus não deve ser de todo bom, ou então, Sua criação seria um reflexo desta perfeição; Ele não deve ser Todo-poderoso, ou então, Ele já teria consertado esse problema. 
Mas qual seria o problema se Deus tivesse usado o mal para mostrar Sua infinita bondade e poder? E se, por um ato de salvação, Ele pudesse trazer um bem ainda maior, um bem muito além da realidade do mal?
Se você já participou da liturgia da Vigília Pascal no rito latino, então já ouviu o antigo hino com a frase: "Ó feliz culpa! Ó necessário pecado de Adão!" Bem, isso deve fazer você se perguntar por que a Igreja iria comemorar um pecado e uma falta como "feliz".
Muito maior do que a queda da natureza humana, não se pode comparar ao que Deus nos deu em Cristo. Podemos dizer que Deus nos permitiu quebrar um ossos para que Ele mesmo pudesse recompô-lo, tornando-o não apenas forte, mas inquebrantável. Deus nos permitiu não somente perder a graça divina, mas também a posição que tínhamos como Seus servos, Seus escravos obedientes. Ele previu que iríamos cair. Ele não causou nossa queda, mas a permitiu livremente. E a fez a fim de trazer uma nova criação gloriosa que excedesse todas as possibilidades da natureza humana. Então, Cristo tomou nossa natureza humana decaída e, não somente a trouxe de volta à vida, mas a uniu a Si mesmo para que nossa vida restaurada fosse uma vida divina. A graça que Ele nos deu foi sua própria filiação. 

HAHN, Scott. Razões para Crer: Como entender, explicar e defender a Fé Católica. São Paulo: Cléofas, 2015.