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domingo, 5 de fevereiro de 2017

O testemunho do pregador do Papa

É impressionante o testemunho dado pelo Frei Inácio Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, há mais de trinta anos, desde João Paulo II até agora o Papa Francisco, sobre o seu batismo no Espírito Santo. Ele mesmo conta no seu livro Ungidos pelo Espírito Santo (Edições Loyola, SP, 1998, pp. 145-151). Este testemunho foi dado em um Retiro da RCC que ele pregou em 1992, na cidade de Monterrey, no México para cerca de 1.500 padres e 70 bispos. 
Isso aconteceu antes dele ser convidado pelo Papa João Paulo II para ser pegador dos retiros de Quaresma e de Advento da Casa Pontifícia, há mais de trinta anos. Ele afirma que "o batismo no Espírito  revelou-se um poderoso meio de reavivar a vida espiritual de milhões de pessoas, uma autêntica "corrente de graça", como apreciava defini-lo o cardeal Suenes" (p. 146). 
Ele começa contando que era cético em relação ao batismo no Espírito. Ele é religioso capuchinho, e era professor de História das Origens Cristãs e Diretor do Departamento de Ciências Religiosas da Universidade Católica do Sagrado Coração de Jesus de Milão. Mas ele diz que não estava satisfeito e "sentia vagamente a necessidade de uma mudança radical" (p. 147). 
Ele conta que 1974 começou a ouvir falar da RCC e disse à pessoa que lhe falou dela, que "não voltasse naquele lugar". Mas ele percebeu que os carismáticos ao invés de tratá-lo mal, por causa de suas duras críticas, o amavam e pediam que lhes dessem ensinamentos. E ele começou a ver que naqueles grupos havia algo parecido com o que acontecia na Igreja primitiva: amor entre eles, oração forte, caridade, amor a Igreja, ao Papa, a Virgem Maria...

Aquino, Felipe. Descerá sobre vós o Espírito Santo. São Paulo: Cléofas. 2015

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Santificado seja o vosso nome

O primeiro pedido do Pai-Nosso recorda-nos o Segundo mandamento do Decálogo: não deves desonrar o nome de Deus (Ex 20,7; cf. Dt 5,11). Mas o que é isso, "o nome de Deus"? Quando falamos disso, aparece diante de nós o quadro em que Moisés no deserto vê uma sarça que arde, mas que não se queima. No primeiro momento, ele é impelido pela curiosidade de ver este misterioso acontecimento mais de perto, mas então uma voz chama por ele de dentro da sarça, e essa voz lhe diz: "Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e o Deus de Jacó" (Ex 3,6). Este Deus manda-o de volta para o Egito com a missão de conduzir o povo de Israel do Egito para a Terra Prometida. Moisés deve, em nome de Deus, exigir do faraó a libertação de Israel. 
Mas no mundo de então havia muitos deuses; por isso Moisés pergunta-lhe pelo seu nome, com o qual este Deus, na sua especial autoridade, se identifica face aos deuses. Deste modo, a ideia do nome de Deus pertence imediatamente ao mundo politeísta; nele deve também este Deus se dar um nome. Mas o que Deus que chama Moisés é realmente Deus. Deus em sentido verdadeiro e próprio não existe no plural. Deus é por definição  apenas um. Por isso, Ele não pode entrar no mundo dos deuses como um entre muitos, não pode ter um nome entre outros nomes. 
Assim, a resposta de Deus é simultaneamente recusa e promessa. Ele diz de si mesmo simplesmente: "Eu sou o que sou" - Ele é simplesmente. Essa promessa é nome e não é nome ao mesmo tempo. Por isso era inteiramente correto que em Israel esta autodesignação de Deus, que fora escutada na palavra YHWH, não fosse pronunciada, não tivesse sido degradada para uma espécie de um nome de deuses. E por isso não era correto que nas novas traduções da Bíblia este nome, tão misterioso e inefável para Israel, fosse escrito como outro nome qualquer, e assim o mistério de Deus, do qual não há nem imagens nem nome pronunciável, tenha sido submergido no comum de uma história geral da religião. 

Ratzinger Joseph - Bento XVI. Jesus de Nazaré. Primeira Parte - Do Batismo à Transfiguração. São Paulo: Planeta, 2007.