Mostrando postagens com marcador papa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador papa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

São Máximo, o Confessor

Hoje gostaria de apresentar a figura de um dos grandes Padres da Igreja do Oriente do tempo tardio. Trata-se de um monge, São Máximo, que da tradição cristã mereceu o título de Confessor, pela intrépida coragem com que soube testemunhar "confessar" também com o sofrimento, a integridade da sua fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador do mundo. Máximo nasceu na Palestina, a terra do Senhor, por volta de 580. Desde jovem foi iniciado na vida monástica e no estudo das Escrituras, também através das obras de Orígenes, o grande mestre que já no século III conseguira "fixar" a tradição exegética alexandrina. 
De Jerusalém, Máximo transferiu-se para Constantinopla, e dali, por causa das invasões bárbaras, refugiou-se na África. Aí, distinguiu-se com extrema coragem na defesa da ortodoxia. Máximo não aceitava qualquer diminuição da humanidade de Cristo. Nascera a teoria segundo a qual em Cristo haveria somente uma vontade, a divina. Para defender a unicidade da sua pessoa, negavam que nele existisse uma verdadeira vontade humana. E, à primeira vista, poderia até parecer uma coisa positiva, que em Cristo houvesse uma única vontade. Mas São Máximo compreendeu imediatamente que isto destruiria o mistério da salvação, porque uma humanidade sem vontade, um homem sem vontade não é um homem verdadeiro, é um homem incompleto. Portanto, o homem Jesus Cristo não seria um verdadeiro homem, não teria vivido o drama do ser humano, que consiste precisamente na dificuldade de conformar a sua vontade com a verdade do ser. E assim, São Máximo afirma com grande decisão: a Sagrada Escritura não nos mostra um homem incompleto, sem vontade, mas um homem verdadeiramente completo: em Jesus Cristo, Deus assumiu realmente a totalidade do ser humano obviamente, exceto o pecado e, portanto, também uma vontade humana.  

BENTO XVI. Os Padres da Igreja II. De São Leão Magno a São Bernardo de Claraval. São Paulo: Ecclesiae: 2013

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Santificado seja o vosso nome

O primeiro pedido do Pai-Nosso recorda-nos o Segundo mandamento do Decálogo: não deves desonrar o nome de Deus (Ex 20,7; cf. Dt 5,11). Mas o que é isso, "o nome de Deus"? Quando falamos disso, aparece diante de nós o quadro em que Moisés no deserto vê uma sarça que arde, mas que não se queima. No primeiro momento, ele é impelido pela curiosidade de ver este misterioso acontecimento mais de perto, mas então uma voz chama por ele de dentro da sarça, e essa voz lhe diz: "Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e o Deus de Jacó" (Ex 3,6). Este Deus manda-o de volta para o Egito com a missão de conduzir o povo de Israel do Egito para a Terra Prometida. Moisés deve, em nome de Deus, exigir do faraó a libertação de Israel. 
Mas no mundo de então havia muitos deuses; por isso Moisés pergunta-lhe pelo seu nome, com o qual este Deus, na sua especial autoridade, se identifica face aos deuses. Deste modo, a ideia do nome de Deus pertence imediatamente ao mundo politeísta; nele deve também este Deus se dar um nome. Mas o que Deus que chama Moisés é realmente Deus. Deus em sentido verdadeiro e próprio não existe no plural. Deus é por definição  apenas um. Por isso, Ele não pode entrar no mundo dos deuses como um entre muitos, não pode ter um nome entre outros nomes. 
Assim, a resposta de Deus é simultaneamente recusa e promessa. Ele diz de si mesmo simplesmente: "Eu sou o que sou" - Ele é simplesmente. Essa promessa é nome e não é nome ao mesmo tempo. Por isso era inteiramente correto que em Israel esta autodesignação de Deus, que fora escutada na palavra YHWH, não fosse pronunciada, não tivesse sido degradada para uma espécie de um nome de deuses. E por isso não era correto que nas novas traduções da Bíblia este nome, tão misterioso e inefável para Israel, fosse escrito como outro nome qualquer, e assim o mistério de Deus, do qual não há nem imagens nem nome pronunciável, tenha sido submergido no comum de uma história geral da religião. 

Ratzinger Joseph - Bento XVI. Jesus de Nazaré. Primeira Parte - Do Batismo à Transfiguração. São Paulo: Planeta, 2007.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Escritos de Fogo

Quinta carta
17(15) novembro 1896

Beatíssimo Padre

Que graça, que consolação para uma pobre filha ouvir dizer que o Sumo Pontífice é tão atencioso com ela que lhe concede a faculdade de escrever-lhe!
Único é, Santo Padre, o desejo; única, a prece que deponho aos pés de Vossa Santidade, ou melhor, no coração. E, como no precioso e Breve de 5 de maio de 1895 é declarado que Vossa Santidade funda grandes esperanças em um compromisso religioso de orações ao Divino Paráclito, animo-me a revelar que mesmo essa união de orações ao Espírito Santo é o que eu ouso pedir: uma união estabelecida, ordenada, promulgada na Igreja inteira. Em minha simplicidade, eu chamo de Cenáculo Universal essa união que sempre imploro a Deus na oração. Mas que importa o nome?
O que interessa para impetrar uma feliz renovação na Terra é a substância, e a substância é que os fiéis se unam em uma prece unânime e incessante ao Divino Espírito, para conseguir que cesse o combate teimoso do espírito infernal contra a Igreja e que a luz do Paráclito resplandeça sobre as trevas da ignorância e do erro. Assim, voltem ao seio da Igreja todos os descrentes e dissidentes. 
Recomendando ardentemente recorrer ao Espírito Santo, Vossa Santidade já deu o primeiro passo imitando São Pedro, que foi a frente preparar o Cenáculo. Mas aquela piedosa exortação de 5 de maio de 1895 ainda não está difundida entre os fiéis e tudo acabou com a Novena de Pentecostes. 

BRAGA, Eduardo. Escritos de Fogo: A correspondência profética entre a Beata Elena Guerra e o Papa Leão XIII sobre o Espírito Santo. Rio Bonito: Cenáculo Universal, 2015.