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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A invasão vertical dos Bárbaros

Não é possível que a Igreja Católica e os protestantes queiram fazer alguma coisa de mais sério se não preparam devidamente os seus homens. Não é possível fabricar padres como se fabricam salsichas. A vida pastoral não é tão simples como parece a muitos. E, ademais, ele não encontrar pela frente apenas pessoas que precisam de amparo religioso, mas que precisam também de um forte amparo moral e filosófico. O clero não pode deixar de reconhecer essa necessidade. Por isso não é admirar que inúmeros padres, sobretudo na América Latina, escolhem o lado do comunismo para lutar, julgando que é o único caminho que ainda oferece uma solução para resolver os problemas sociais que surgem neste parte do mundo, dos mais agudos que existem. 
A ignorância do clero sobre matéria social é lamentável. Havendo doutrinas sociais democráticas, libertárias e totalitárias, preferem esses homens as duas últimas, as mais contrárias ao verdadeiro espírito cristão, embora mais agradáveis ao espírito de sacerdotes cesariocratas, que julgam que irão abiscoitar a revolução social para o seu lado, imaginando que os comunistas vão ser tão ingênuos que, quando vitoriosos, se um dia tal desgraça acontecesse no mundo, iriam poupar a Igreja e admitir que o clero participasse também do poder. 

SANTOS, Mário Ferreira. Invasão vertical dos Bárbaros. São Paulo: É Realizações. 2015

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A filosofia cristã e a Sagrada Escritura

O aparecimento do cristianismo foi bem diverso do das antigas filosofias. Na verdade, ele nem sequer se apresentou como filosofia, mas como religião. Sua primeira manifestação exterior liga-se a uma série de fatos históricos. 
A um pequeno grupo de galileus incultos coube anunciar ao mundo a boa-nova do aparecimento, no país da Palestina, de um homem extraordinário, chamado Jesus. Nascido de uma virgem, num estábulo de Belém, apresentou-se como o Messias anunciado pelos profetas ao povo judeu e a toda a humanidade. Viveu como homem entre os homens, e não obstante declarou ser Deus, confirmando seu testemunho com milagres. Prometeu a vinda do Reino de Deus, a que os homens deviam preparar-se pela penitência e pelas boas obras. Depois de percorrer a Palestina, fazendo o bem e operando milagres, morreu na cruz, dando cumprimento às profecias e resgatando a humanidade pecadora. Ao terceiro dia ressuscitou do sepulcro, demonstrando definitivamente sua divindade. Sua vitória sobre a morte constitui um penhor de ressurreição para todos os que lhe aceitam a doutrina e se deixam batizar. Finalmente subiu ao céu, donde tornará com grande poder e glória, para julgar os vivos e os mortos e fundar um novo reino que não terá fim. A imagem temporal deste reino é a comunidade dos seus discípulos, presidida pelos apóstolos. 

BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. Petrópolis: Vozes, 2012.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Três filosofias de vida

No fim das contas, há somente três filosofias de vida, e cada uma é representada por um dos seguintes livros da Bíblia: 
1 - A vida como vaidade: Eclesiastes;
2 - A vida como sofrimento: Jó;
3 - A vida como amor: Cântico dos Cânticos. 
Jamais se escreveram livros mais profundos sobre qualquer uma dessas filosofias de vida. O Eclesiastes é o clássico imortal da vaidade. Jó é o clássico imortal do sofrimento. E o Cântico dos Cânticos é o clássico imortal do amor. 
O motivo de essas serem as três únicas filosofias de vida possíveis é que representam as três condições ou lugares exclusivos nos quais podemos estar. A "vaidade" do Eclesiastes representa o Inferno. Os sofrimentos de Jó representam os do Purgatório. E o amor do Cântico dos Cânticos representa o Céu. Todas as três condições começam aqui e agora na terra. Como dizia C.S. Lewis, "tudo que parece terreno é o início do Céu ou do Inferno". Uma frase arrasadora, a que Lewis acrescentou: "Senhor, não abra meus frágeis olhos para isso com demasiada frequência". 
A essência do Inferno não é o sofrimento, mas a vaidade; não a dor, mas a falta de propósito; não o sofrimento físico, mas o espiritual. Dante estava certo ao colocar estes dizeres sobre os portões do Inferno: "Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais". 

 KREEFT, Peter. Três filosofias de Vida. São Paulo: Quadrante, 2015.