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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Escritores africanos de língua latina

As primeiras versões latinas da Bíblia surgiram na África do norte e muito provavelmente em Roma, que mantinham relações culturais estreitas. Embora não tenhamos o texto original, este foi reconstruído graças às inúmeras citações dos escritores africanos do terceiro século. Os primeiros autores a utilizarem o latim foram, na África, Tertuliano e, em Roma, Minúcio Felix e, pouco após, Novaciano. Mas a língua que prevalecia em Roma, nos ambientes culturais, era língua grega. O próprio Tertuliano escreveu cinco de suas obras em grego, traduzidas por ele mesmo para o latim. 
As primeiras notícias que temos da presença da Igreja na África remontam a última metade do século segundo, com as Atas dos mártires scilitianos, que provinham provavelmente de uma população local, da cidade de Scillium. A chegada dos cristãos deu-se alguns decênios antes do ano 180. No tempo de Tertuliano, a Igreja já está bem organizada, a ponto de ele dizer, com certo exagero retórico, que se os cristãos abandonassem as cidades, estas se tornariam vazias. 
Tertuliano não é considerado, no sentido estrito da palavra, "Padre da Igreja", mas escritor eclesiástico de grande importância. Pessoalmente, possui ampla erudição no campo literário, filosófico e jurídico. Nascido em Catargo, ele era capaz de escrever em grego e latim, chegando a verter para o grego algumas de suas obras, originalmente escritas em latim. Filho de um centurião romano, em sua idade madura, abraçou o Cristianismo, com a fogosidade do seu temperamento africano. 

FIGUEIREDO, Fernando A. O alvorecer da Igreja na África. São Paulo: Cléofas. 2016

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A filosofia cristã e a Sagrada Escritura

O aparecimento do cristianismo foi bem diverso do das antigas filosofias. Na verdade, ele nem sequer se apresentou como filosofia, mas como religião. Sua primeira manifestação exterior liga-se a uma série de fatos históricos. 
A um pequeno grupo de galileus incultos coube anunciar ao mundo a boa-nova do aparecimento, no país da Palestina, de um homem extraordinário, chamado Jesus. Nascido de uma virgem, num estábulo de Belém, apresentou-se como o Messias anunciado pelos profetas ao povo judeu e a toda a humanidade. Viveu como homem entre os homens, e não obstante declarou ser Deus, confirmando seu testemunho com milagres. Prometeu a vinda do Reino de Deus, a que os homens deviam preparar-se pela penitência e pelas boas obras. Depois de percorrer a Palestina, fazendo o bem e operando milagres, morreu na cruz, dando cumprimento às profecias e resgatando a humanidade pecadora. Ao terceiro dia ressuscitou do sepulcro, demonstrando definitivamente sua divindade. Sua vitória sobre a morte constitui um penhor de ressurreição para todos os que lhe aceitam a doutrina e se deixam batizar. Finalmente subiu ao céu, donde tornará com grande poder e glória, para julgar os vivos e os mortos e fundar um novo reino que não terá fim. A imagem temporal deste reino é a comunidade dos seus discípulos, presidida pelos apóstolos. 

BOEHNER, Philotheus; GILSON, Etienne. História da Filosofia Cristã. Petrópolis: Vozes, 2012.