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sábado, 29 de setembro de 2018

HISTÓRIA ECLESIÁSTICA - EUSÉBIO DE CESAREIA


"6. Lucas, porém, de origem antioquena, e médico de profissão (cf. Cl 4, 14), viveu por longo tempo em companhia de Paulo e no restante conviveu, não de passagem, com os outros Apóstolos. Deles aprendeu a cura das almas, conforme comprovou nos dois livros inspirados por Deus, o Evangelho que ele atesta ter composto conforme lhe transmitiram os que foram desde o início testemunhas oculares e ministros da palavra e aos quais seguiu desde o começo (Lc 1,2-3) e os Atos dos Apóstolos, que não redigiu de acordo com o que ouviu, mas ao invés com o que viu com os próprios olhos". 

* Eusébio de Cesareia - Livro Terceiro (século IV). 

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A Confirmação

O bispo, impondo sobre eles a mão, faça a invocação dizendo: 
Senhor Deus, que os tornaste dignos de merecer a remissão dos pecados pelo banho da regeneração, torna-os dignos de ser cumulados do Espírito Santo; lança sobre eles a tua graça para que te sirvam de acordo com a tua vontade, pois a ti a glória - ao Pai e ao Filho, com o Espírito Santo na santa Igreja, pelos séculos dos séculos. Amém. 
Depois, derramando óleo santificado na mão e pondo-a sobre sua cabeça, diga:
Eu te unjo com o óleo santo, no Senhor Pai Onipotente e em Jesus Cristo e no Espírito Santo. 
Marcando-o na fronte com o sinal-da-cruz, ofereça-lhe o ósculo e diga:
O Senhor esteja contigo. 
Responde o que foi marcado: 
E com o teu Espírito.

* Tradição Apostólica de Hipólito de Roma - Liturgia e catequese em Roma no século III. 
A mais completa descrição da vida da Igreja de Roma no início do terceiro século. 

Policarpo de Esmirna - Primeira Carta aos Filipenses

Amor fraternal

10. 1 Permanecei, portanto, firmes nessas coisas e segui o exemplo do Senhor, firmes e imutáveis na fé, amantes da fraternidade, amando-vos mutuamente, unidos na verdade, competindo na mansidão do Senhor, não desprezando ninguém.
2 Quando podeis fazer o bem, não o deixeis para depois, porque a esmola liberta da morte. Sede todos submissos uns aos outros, que a vossa conduta seja irrepreensível entre os pagãos, para que recebais louvor, pelas vossas boas obras, e o Senhor não seja blasfemado em vós. 3 Ai, porém, daquele mediante o qual o nome do Senhor for blasfemado. Portanto, ensinai a todos a sobriedade, na qual também vós viveis.




* Segundo Tertuliano, Policarpo teria sido ordenado bispo pelas mãos do próprio apóstolo João, “segundo tradição daquela Igreja, do mesmo modo que a Igreja de Roma afirma que Clemente fora
ordenado bispo por são Pedro” (De praesc. haer., 32.)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Escritores africanos de língua latina

As primeiras versões latinas da Bíblia surgiram na África do norte e muito provavelmente em Roma, que mantinham relações culturais estreitas. Embora não tenhamos o texto original, este foi reconstruído graças às inúmeras citações dos escritores africanos do terceiro século. Os primeiros autores a utilizarem o latim foram, na África, Tertuliano e, em Roma, Minúcio Felix e, pouco após, Novaciano. Mas a língua que prevalecia em Roma, nos ambientes culturais, era língua grega. O próprio Tertuliano escreveu cinco de suas obras em grego, traduzidas por ele mesmo para o latim. 
As primeiras notícias que temos da presença da Igreja na África remontam a última metade do século segundo, com as Atas dos mártires scilitianos, que provinham provavelmente de uma população local, da cidade de Scillium. A chegada dos cristãos deu-se alguns decênios antes do ano 180. No tempo de Tertuliano, a Igreja já está bem organizada, a ponto de ele dizer, com certo exagero retórico, que se os cristãos abandonassem as cidades, estas se tornariam vazias. 
Tertuliano não é considerado, no sentido estrito da palavra, "Padre da Igreja", mas escritor eclesiástico de grande importância. Pessoalmente, possui ampla erudição no campo literário, filosófico e jurídico. Nascido em Catargo, ele era capaz de escrever em grego e latim, chegando a verter para o grego algumas de suas obras, originalmente escritas em latim. Filho de um centurião romano, em sua idade madura, abraçou o Cristianismo, com a fogosidade do seu temperamento africano. 

FIGUEIREDO, Fernando A. O alvorecer da Igreja na África. São Paulo: Cléofas. 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Origens da idolatria

O homem criado à imagem de Deus


No princípio, o mal não existia; também não existia ainda nos santos, não existia absolutamente entre eles; mas foram os homens que na sequência começaram a imaginá-lo e a representá-lo a si mesmos para sua perda. E é porque eles imaginaram ídolos, considerando as coisas que não existem como se elas existissem. Porque o Deus criador e soberano rei do universo, que subsiste além de toda a essência e de todo o pensamento humano criou na sua bondade e beleza infinitas o gênero humano, segundo a sua própria imagem pelo seu próprio Verbo, nosso Salvador Jesus Cristo. Por sua semelhança com ele, o tornou capaz de contemplar e conhecer os seres, deu-lhe a ideia e conhecimento da sua própria eternidade, a fim de que, conservando a sua integridade, o homem não mais se afaste do pensamento de Deus e não se distancie da comunidade dos santos, mas que, conservando a graça que recebeu do Deus, conservando também o próprio poder que lhe vem do Verbo do Pai, ele viva, na alegria e na intimidade com Deus, uma vida sem inquietude e verdadeiramente feliz, uma vida imortal. Porque, nada havendo que o impeça de conhecer a divindade, sua pureza lhe permite contemplar sem cessar a imagem do Pai, o Verbo de Deus, à imagem do qual ele foi feito; e ele está repleto de admiração considerando a sua providência com relação ao universo. Ele se eleva acima das coisas sensíveis e de toda a representação corporal, e se une, pelo poder do seu espírito, às realidades divinas e inteligíveis que estão nos céus. Quando então o espírito humano não tem comércio com os corpos e não recebe de fora mistura alguma das paixões corporais, mas está totalmente no alto, vivendo com ele, ultrapassa as coisas sensíveis e todas as realidades humanas para viver lá no alto nos céus, e vendo o Verbo, ele vê também o Pai Verbo; esta contemplação o alegra e o renova no desejo que o leva até ele. 

ATANÁSIO, Santo. Contra os pagãos: A encarnação do Verbo, apologia ao imperador Constâncio.... 2. ed. São Paulo: Paulus, 2010.