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domingo, 12 de março de 2017

O que significa ser santo?

Ao definir o que significa ser santo, corremos o risco de deturpar a realidade, acomodando ao nosso próprio conceito. Santo é uma destas palavras, como tantas outras, cujo sentido foi se transformando através dos tempos; antes temperança significava apenas abstinência de bebida, hoje caridade suscita a ideia de esmola e liberal lembra política. Atualmente ser santo não é algo muito apreciado; devoção e beatice tem significado pejorativo, parecem sugerir hipocrisia ou retrocesso. 
Não é normal apresentar alguém, dizendo: Tenho a honra de apresentar fulano, um grande santo; ficaríamos espantados se escutássemos que uma atriz, um jogador de futebol ou um político é um santo. Mesmo quando se diz que um homem é santo, significa que tal pessoa é um excelente amigo, com ideais superiores. Quando um homem responde com naturalidade: na verdade não sou santo, porém trabalho para ser; tal pessoa presta homenagem aos santos, confessa implicitamente quão longe se encontra da perfeição, sem querer passar por vaidoso ou crítico. 
Os santos foram homens de carne e osso! Não são personagens fictícias!
Muitos santos foram completamente desconhecidos ou a história pouco fala a respeito. São como os incontáveis soldados mortos nas guerras, em cujos túmulos se encontram as palavras: Conhecido só por Deus. 

MARTINDALE, Charles. A santidade através dos tempos. O que significa ser santo? São Paulo: Ecclesiae. 2010

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Estigma

Foram bem tristes os primeiros meses de 1918. A guerra e a gripe "espanhola" haviam matado muitos da população e do convento. Não posso deixar de lembrar, dentre as vítimas daquela epidemia, dois dos três videntes de Fátima, Francisco e Jacinta. O convento de Santa Maria delle Grazie foi reduzido a três freis: padre Paolino, o superior; frei Nicola, um frei pedinte; Padre Pio que apenas pegou a "espanhola", graças ao Céu, de modo rápido, mas ficou de cama de 5 a 17 de setembro. Esse era o pequeno grupo conventual. 
Na manhã de sexta-feira, 20 de setembro, Festa dos Estigmas de São Francisco, depois da Missa, Padre Pio rezou tudo sozinho, no coro. Quase sem perceber, viu-se tomado por uma doce sono, acompanhado por uma completa sensação de paz. De improviso, ele se dirigiu àquele crucifixo que estava diante de si e que sempre esteve firme, no balaustre do coro. 
Mas naquele momento, o crucifixo assumiu o semblante daquele personagem celeste que em 5 de agosto lhe havia traspassado o coração. Com uma diferença, desta vez o personagem tirou sangue abundante das mãos, dos pés e do coração, de repente, desapareceu. 
Padre Pio, que ficou bastante assustado com aquela visão, sentiu-se ferido naquelas mesmas partes: nas mãos, nos pés e no coração; sentiu-se traspassado e não parava de sangrar.
Foi engatinhando até a cela, onde tratou de enfaixar os lugares feridos.
Escreveu sem seu diário espiritual os sentimentos que havia provado e que continuava experimentando: dor, crítica, humilhação, confusão. Não tinha paz; não sabia como comportar-se com os irmãos, com os outros. Invocou, suplicando ao Senhor com todas as suas forças:
- "Permita-me a dor, aumenta-a se o Senhor quiser, mas livra-me das marcas visíveis. Dá-me a graça de que não sejam vistas!" 

AMORTH, Gabriele. Padre Pio - breve história de um santo. São Paulo: Palavra e Prece. 2010.

Ps.: postagem dedicada aos amigos Germano e Manuela Martinez. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Os santos, modelos evangélicos a serem imitados

Os santos, cada qual a seu modo, viveram o mistério de Cristo, revelando assim uma faceta do Evangelho. 
Podemos dizer que existem três Evangelhos: o Evangelho escrito, segundo os quatro evangelistas; o Evangelho vivido, os santos canonizados ou não; e o Evangelho vivo, os cristãos de hoje e, especialmente, os religiosos e religiosas, tornando presentes os vários carismas dos seus fundadores. 
Os santos constituem o Evangelho vivido. Comemorando os santos, a Igreja evoca e assim torna presente a respectiva faceta do Evangelho vivida pelo santo. Pela comemoração dos santos, a Igreja assume a própria vocação evangélica, ou seja, a faceta do mistério de Cristo revelada pelo santo, que vai se realizando em sua própria caminhada. 
Os santos, primeiramente, apresentam uma mensagem geral: anunciam o Evangelho, o mistério pascal, Jesus Cristo. Eles os revelam e conduzem a eles. 
Depois, temos uma mensagem comum a certas categorias ou grupos de santos. Entre os santos, temos alguns que não se enquadram  em determinado grupo. Excepcionalmente rica é a mensagem de São João Batista, ao mesmo tempo profeta, precursor, penitente, batista e mártir. Para se chegar a Cristo, o cristão necessariamente deverá passar por ele. São José é outra figura de destaque dentro do mistério de Cristo. José está presente e atua, silenciosamente acolhendo, defendendo, ensinando, conduzindo os passos onde o Cristo nasce, dá os seus primeiros passos e cresce em idade e graça. Santa Maria, Nossa Senhora, Mãe de Jesus Cristo e Mãe da Igreja, naturalmente ocupa um lugar todo especial.

BECKHAUSER, Alberto. Os santos na liturgia. Testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes. 2013