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domingo, 19 de março de 2017

A importância e o exemplo de São José

Quando Deus deseja que alguém dê conta de determinada missão, oferece-lhe todas as graças necessárias para que ela seja cumprida. Depois de Maria, que levou Cristo no próprio ventre, ninguém teve missão tão importante quanto José. Aquele simples e humilde carpinteiro de Nazaré passou grande parte da vida ao lado da Virgem e do Salvador, servindo-lhes de guardião. Não houve, além de Maria, santo tão importante quanto são José. Ele foi maior que todos os apóstolos, foi maior que todos os profetas. 
Quantas graças esse homem não recebeu apenas por conviver e escutar Nossa Senhora? E ao meditar sobre os passos e o mistério daquele Menino que se desenvolvia diante de seus olhos? Como não deve ter crescido em santidade e em perfeição?
Por muitas razões, são José é modelo para todos os cristãos. Em primeiro lugar, destacou-se por sua obediência à vontade de Deus. Tudo o que Deus lhe pediu, José fez: aceitou Maria como esposa, assumiu o Menino, partiu para Belém, foi ao Egito, voltou a Nazaré... Como um garotinho dócil, nunca questionou seu Criador, nunca pediu explicações, nunca se rebelou, nunca fez corpo mole.. Mesmo com tantos motivos, José nunca duvidou ou desanimou. 

São José: o homem simples que aceitou a missão de ser pai do Filho de Deus. Rio de Janeiro: Petra, 2016. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Uma missão para Catarina (18 de julho de 1830)

Na noite de 18 de julho era justamente Madre Marthe quem dava instruções ao noviciado. Era a véspera  da festa de São Vicente. Ela evocava calorosamente a piedade do fundador pela Virgem Maria, e Catarina embebia-se de suas palavras. Catarina tinha visto São Vicente, tinha visto Nosso Senhor... Não tinha visto a Virgem Santa. E ei-la transportada por um novo elã: "Eu me deitei com a ideia de que nessa mesma noite eu veria minha boa Mãe. Havia muito que desejava vê-la!"
E foi o que aconteceu.
Finalmente, às onze e meia da noite, ouvi um chamado: 
- Irmã, irmã!
Despertei e olhei para o lado de onde vinha a voz, do lado do corredor. Abri a cortina. Vi então uma criança vestida de branco, de uns 4 ou 5 anos de idade, que me dizia:
- Levanta-te depressa e vá à capela, a Virgem Santa a espera!
De imediato, veio-me à mente:
- Mas ela vai me esperar?
A criança me respondeu (mentalmente):
- Fique tranquila, são onze e meia, todos estão dormindo. 
Venha, estou esperando. 
[...]
A criança me conduziu para dentro do Santuário, ao lado da poltrona do Senhor Diretor. Lá me pus de joelhos, e a criança permaneceu em pé o tempo todo. Como julgasse haver demora, olhei para verificar se as vigilantes não passavam pela tribuna. Por fim, chegava a hora, preveniu-me a criança, dizendo:
- Eis a Virgem Santa! Ei-la;

LAURENTIN, René. Catarina Labouré. Mensageira de Nossa Senhora das Graças e da Medalha Milagrosa. São Paulo: Paulinas. 2009. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Esperança nossa, salve

Não suportam os hereges modernos que nós saudemos e chamemos a Maria nossa esperança. Dizem que só Deus é nossa esperança, e que Ele amaldiçoa quem põe sua confiança na criatura. "Maldito o homem que confia no homem" (Jr 17,5). Maria é criatura, objetam eles; como, pois, uma criatura há de ser a nossa esperança? Isto dizem os hereges. Entretanto quer a Santa Igreja que cada dia todos os eclesiásticos e todos os religiosos em voz alta, e em nome de todos os fiéis, invoquem e chamem a Maria com este nome de esperança nossa. 
De dois modos, diz o Angélico S. Tomás, podemos pôr nossa esperança numa pessoa, como causa principal ou como causa mediante. Quem deseja obter do rei uma graça, espera alcançá-la do rei como soberano senhor, e espera obtê-la do seu ministro ou valido, como intercessor. No último caso a graça concedida veio do rei, mas por intermédio do seu valido. Portanto, quem pretende a graça com razão chama aquele seu intercessor a sua esperança. Por ser de infinita bondade, sumamente deseja o Rei do céu enriquecer-nos com as suas graças. Mas porque para tanto é necessária da nossa parte a confiança, deu-nos o Senhor, para aumentá-la, sua própria Mãe por advogada e intercessora, e concedeu-lhe plenos poderes a fim de nos valer. Por esta razão quer também que nela coloquemos a esperança de nossa salvação e de todo o nosso bem. Sem dúvidas são amaldiçoados pelo Senhor, como diz Jeremias, aqueles que põem sua confiança na criatura unicamente. Tal é o procedimento dos pecadores que, em troca da amizade e dos préstimos de um homem, não se incomodam de ofender a Deus. São abençoados pelo Senhor e lhes são agradáveis, porém, os que esperam em Maria, tão poderosa como Mãe de Deus, para impetrar-lhe as graças e a vida eterna. Pois assim quer Deus ver honrada aquela excelsa criatura, que neste mundo o amou e honrou mais do que todos os anjos e homens juntos. 

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO. Glórias de Maria. São Paulo: Santuário. 1989

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Da caridade para com o próximo

O Servo - Não foi em vão, fervorosíssima Virgem, quando saístes da solidão de Nazaré para o rumor do mundo. O que a isso vos levou senão o espírito de caridade? Felizes as colinas que receberam as impressões de vossos passos! Montanhas da Judeia, estremecei de alegria!
Digna Mãe do Deus de Caridade, apenas vos informara o Anjo sobre o estado de vossa santa prima Isabel, pressa vos destes em visitá-la. Com apressados passos, diz o Evangelho, seguistes as inspirações do Espírito Santo, o qual sempre exige das criaturas a presteza no cumprir o que Ele inspira. As montanhas que teríeis de transpor não detiverem o vosso caminhar. A caridade cumpre o seu dever corajosa e generosamente. Durante algum tempo, tivestes que abandonar as doçuras do vosso retiro. A caridade tem os seus direitos, e a estes devem submeter-se os prazeres da própria piedade. Não é coisa efêmera a vossa caridade. Cerca de três meses permanecestes em casa de Isabel, a fim de lhe prodigalizares cuidados e atenções. 
Que frutos preciosos de santidade não teriam sido os que brotaram dessa visita de caridade! Cheia ficou Isabel do Espírito Santo e santificado João Batista no próprio seio materno. Decerto, já Isabel e o seu esposo viviam na prática das virtudes. Todavia, mercê dos vossos exemplos, mais ainda tiveram que aprender para maior perfeição daquelas virtudes. 

Imitação de Maria. São Paulo: Cultor de Livros. 2014. 

sábado, 14 de janeiro de 2017

É a imagem viva de Deus

Maria é chamada por Santo Agostinho, e é-o efetivamente, Forma Dei, imagem viva de Deus; isto quer significar que somente n´Ela foi formado Deus como homem perfeito, sem faltar-Lhe qualquer traço da divindade; e também que só n´Ela pode o homem ser transformado em Deus - tanto quanto a natureza humana o permita-, pela graça de Jesus Cristo. 
Um escultor pode reproduzir ao natural uma estátua ou um retrato de duas maneiras: aplicando todo o seu talento na matéria dura e informe, usando de toda a força, de toda a ciência e perfeição das suas ferramentas para reproduzir a estátua; ou então, metendo-a simplesmente num molde. 
O primeiro método é demorado, é difícil e está sujeito a diversos inconvenientes: por vezes bastará uma pancada de cinzel ou uma martelada mal dada para estragar toda a obra. 
O segundo, ao contrário, é rápido, suave e delicado, quase sem despesa nem fadiga, desde que o molde seja perfeito e que reproduza com exatidão, e desde que a matéria utilizada seja maleável e não oponha resistência ao seu manejo. 
É Maria o maravilho molde de Deus, criado pelo Espírito Santo para formar em perfeição um Homem-Deus através da união hipostática (união das duas naturezas), e para tornar o homem participante da natureza divina mediante a graça. Maria é esse molde a que não falta o mais leve traço da divindade: quem for metido nele e se deixar plasmar por ele, adquire todos os traços de Jesus Cristo, verdadeiro Deus, e isso de forma suave e em consonância com a fragilidade humana, sem tantos sacrifícios nem fadigas; e ainda de forma segura, sem medo de ilusões, já que o demônio não teve e nunca virá a ter qualquer acesso a Maria; finalmente e ainda de maneira santa e imaculada, sem a mais leve sombra de pecado. 

Montfort, São Luís. O Segredo de Maria. São Paulo: Cléofas. 2012. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Os santos, modelos evangélicos a serem imitados

Os santos, cada qual a seu modo, viveram o mistério de Cristo, revelando assim uma faceta do Evangelho. 
Podemos dizer que existem três Evangelhos: o Evangelho escrito, segundo os quatro evangelistas; o Evangelho vivido, os santos canonizados ou não; e o Evangelho vivo, os cristãos de hoje e, especialmente, os religiosos e religiosas, tornando presentes os vários carismas dos seus fundadores. 
Os santos constituem o Evangelho vivido. Comemorando os santos, a Igreja evoca e assim torna presente a respectiva faceta do Evangelho vivida pelo santo. Pela comemoração dos santos, a Igreja assume a própria vocação evangélica, ou seja, a faceta do mistério de Cristo revelada pelo santo, que vai se realizando em sua própria caminhada. 
Os santos, primeiramente, apresentam uma mensagem geral: anunciam o Evangelho, o mistério pascal, Jesus Cristo. Eles os revelam e conduzem a eles. 
Depois, temos uma mensagem comum a certas categorias ou grupos de santos. Entre os santos, temos alguns que não se enquadram  em determinado grupo. Excepcionalmente rica é a mensagem de São João Batista, ao mesmo tempo profeta, precursor, penitente, batista e mártir. Para se chegar a Cristo, o cristão necessariamente deverá passar por ele. São José é outra figura de destaque dentro do mistério de Cristo. José está presente e atua, silenciosamente acolhendo, defendendo, ensinando, conduzindo os passos onde o Cristo nasce, dá os seus primeiros passos e cresce em idade e graça. Santa Maria, Nossa Senhora, Mãe de Jesus Cristo e Mãe da Igreja, naturalmente ocupa um lugar todo especial.

BECKHAUSER, Alberto. Os santos na liturgia. Testemunhas de Cristo. Petrópolis: Vozes. 2013

domingo, 1 de janeiro de 2017

Maria Virgem, Mãe de Deus

Regozijemo-nos, irmãos! Alegrem-se, exultem os povos!
Este dia foi tornado sagrado para nós, não por causa do sol visível, mas em honra do sol invisível, o Criador, quando se tornou visível para nós, ao nascer no seio fecundo e intacto da Virgem Maria, que ele mesmo, Deus invisível, havia criado. 
Maria permanece virgem ao conceber seu Filho, virgem como gestante, virgem ao dá-lo à luz, virgem ao alimentá-lo em seu seio, sempre virgem. 
Por que te admiras disso, ó homem? Uma vez que Deus se dignou fazer-se homem, convinha que nascesse desse modo. Foi ele quem fez aquela de quem nasceu. Antes de nascer dela, já existia. E posto que era onipotente, pôde ser feito, permanecendo o que já era. Estando no seio do Pai, fez-se para si uma mãe. E uma vez tendo nascido dessa mãe, continuou a permanecer junto do Pai. Como deixaria de ser Deus, ao tornar-se homem, ele que concedeu à sua mãe permanecer virgem ao gerá-lo? 
Portanto, pelo fato de que "a Palavra se fez carne" (Jo 1,14), não se há de deduzir que a Palavra, ao passar a ser carne, aniquilou-se enquanto tal. Ao contrário, foi a carne que se associou à Palavra para não perecer. 
Assim como o homem é alma e corpo, do mesmo modo, Cristo é Deus e homem. Aquele mesmo que é Deus, é homem. E o mesmo que é homem, igualmente é Deus, sem que se confundam as naturezas, mas na unidade de uma só Pessoa. 
Finalmente, aquele que como Filho de Deus é coeterno ao que gera, existindo no Pai, desde sempre, o mesmo começou a ser filho do homem, ao nascer da Virgem. 

Santo Agostinho. A Virgem Maria. Cem textos marianos com comentários. Paulus. São Paulo. 2014