terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Os pilares da fé islâmica

O centro da fé muçulmana é a confissão que todo crente deve fazer, chamada de Shahada: "Não há outro Deus para além de Allah e Muhammad é o seu mensageiro". Os verdadeiros muçulmanos são "aqueles que creem em Deus e em Seu mensageiro e não duvidam, e se sacrificam pela causa de Deus com seus bens e suas vidas. Estes são os verdadeiros", em poucas palavras, são aqueles que praticam o Islã, ou seja, os que se submetem à Vontade de Deus, contida no Corão e transmitida pelo Profeta. 
Os muçulmanos veem Maomé como escolhido por Deus, que viveu integralmente o Corão, motivo pelo qual podem basear seu comportamento no exemplo do Profeta. E uma vez que Maomé sabia o que Deus queria em cada ocasião, obedecer a Maomé é obedecer a Deus e desobedecer-lhe é desobedecer a Deus. 
A Sunnah é outro livro de referência para o Islã, pois nele estão registrados os ditos e feitos de Maomé, conforme testemunho de seus companheiros. A Sunnah traz diretrizes específicas para a vivência dos princípios mais gerais do Alcorão. Serve como guia e orientação. 
Existem na prática de fé muçulmana cinco pilares que sustentam e dão ritmo à vida dos fiéis: 
a) Professar e aceitar o credo (Chahada ou Shahada); 
b) Orar cinco vezes ao longo do dia (Salá, Salat ou Salah); 
c) Pagar dádivas rituais (Zakat ou Zakah); ;
d) Observar as obrigações do Ramadam (Saum ou Siyam); 
e) Fazer a peregrinação a Meca (Hajj ou Haj). 

BETTENCOURT, Estêvão Tavares. Crenças, religiões, igrejas, seitas. Quem são? Rio de Janeiro: Editora Santo Antonio. 2012.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

São Máximo, o Confessor

Hoje gostaria de apresentar a figura de um dos grandes Padres da Igreja do Oriente do tempo tardio. Trata-se de um monge, São Máximo, que da tradição cristã mereceu o título de Confessor, pela intrépida coragem com que soube testemunhar "confessar" também com o sofrimento, a integridade da sua fé em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Salvador do mundo. Máximo nasceu na Palestina, a terra do Senhor, por volta de 580. Desde jovem foi iniciado na vida monástica e no estudo das Escrituras, também através das obras de Orígenes, o grande mestre que já no século III conseguira "fixar" a tradição exegética alexandrina. 
De Jerusalém, Máximo transferiu-se para Constantinopla, e dali, por causa das invasões bárbaras, refugiou-se na África. Aí, distinguiu-se com extrema coragem na defesa da ortodoxia. Máximo não aceitava qualquer diminuição da humanidade de Cristo. Nascera a teoria segundo a qual em Cristo haveria somente uma vontade, a divina. Para defender a unicidade da sua pessoa, negavam que nele existisse uma verdadeira vontade humana. E, à primeira vista, poderia até parecer uma coisa positiva, que em Cristo houvesse uma única vontade. Mas São Máximo compreendeu imediatamente que isto destruiria o mistério da salvação, porque uma humanidade sem vontade, um homem sem vontade não é um homem verdadeiro, é um homem incompleto. Portanto, o homem Jesus Cristo não seria um verdadeiro homem, não teria vivido o drama do ser humano, que consiste precisamente na dificuldade de conformar a sua vontade com a verdade do ser. E assim, São Máximo afirma com grande decisão: a Sagrada Escritura não nos mostra um homem incompleto, sem vontade, mas um homem verdadeiramente completo: em Jesus Cristo, Deus assumiu realmente a totalidade do ser humano obviamente, exceto o pecado e, portanto, também uma vontade humana.  

BENTO XVI. Os Padres da Igreja II. De São Leão Magno a São Bernardo de Claraval. São Paulo: Ecclesiae: 2013

domingo, 29 de janeiro de 2017

Oração a São Pio de Pietrelcina

Ó glorioso São Pio de Pietrelcina, Vós que sois o Santo deste novo milênio, Vós que sois meu amigo, Consolador da minha alma, auxílio de mim que sou pecador, que pelo Vosso sofrimento compreende bem todos os meus sofrimentos. 
A vós me consagro e aos que me são caros.
 A Vós confio meu espírito, para que o torneis capaz de suportar todas as tribulações que tenho no coração. A Vós confio a súplica de apresentar minha alma a Nossa Senhora das Graças, para que eu possa obter de Deus a eterna salvação.
 A Vós confio meu pedido de intercessão para que eu obtenha da divina bondade a graça de..., que ardentemente desejo. 
Acolhe-me sob a Vossa proteção.
 Defendei-me dos ataques do maligno.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre. Amém. 

GUERRA, Anderson Pe. Orações de cura e libertação. Rio de Janeiro; Petra. 2015.

sábado, 28 de janeiro de 2017

A vida da graça e o valor da primeira conversão

"Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê em mim tem a vida eterna" (Jo 6, 47). 

A vida interior é para cada um de nós o único necessário. Ela deveria desenvolver-se constantemente em nossa alma, muito mais do que aquilo que chamamos de vida intelectual, científica, artística ou literária. Ela é a vida profunda da alma, do homem inteiro e não apenas de uma ou outra de suas faculdades. A própria intelectualidade ganharia muito se, em lugar de querer suplantar a espiritualidade, reconhecesse sua necessidade, sua grandeza e se beneficiasse da sua influência, que é a das virtudes teologais e dos dons do Espírito Santo. 
Como é grave e profundo este assunto, que é expresso por estas duas palavras: Intelectualidade e Espiritualidade! Também é bastante evidente que sem uma vida interior não há como manter-se uma influência social verdadeiramente profunda e durável. 

LAGRANGE, Garrigou. As 3 vias e as três conversões. Niterói: Permanência. 2011

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Fracasso causado pelo vício

Frequentemente o vício é um substituto da mãe. O viciado não quer se tornar adulto, quer permanecer sempre na segurança do colo materno. Por isso nem começa a lutar, a procurar trabalho, ou desiste logo. Chega, então, o dia em que é tarde demais. Ele tem de confessar que nunca viveu, que se tornou incapaz de assumir as rédeas da própria vida. Se não se submeter a um tratamento, continuará sendo para sempre um fracassado. Frequentemente lidamos com homens na casa dos 30 anos que ainda estudam e nunca trabalharam. Vivem com a mãe e a exploram. São sustentados por ela, brincam com sua compaixão. Uma mãe contou que dessa forma seu filho explorou e consumiu todas as economias que ela havia feito. Agora tudo foi por água abaixo. O dinheiro não serviu de ajuda para o filho, pois as necessidades dele não têm limites, e a mãe está quebrada. 
Não tem mais forças nem meios para cuidar da própria vida. O filho fracassou porque não teve coragem de andar com as próprias pernas. Um dia, então, é tarde demais para ele. Fracassou porque nunca viveu. 
Uma pessoa pode vir a fracassar também pelo vício no trabalho. Ela pensa que está trabalhando unicamente para a família, mas de fato tem necessidade do trabalho para fugir à própria realidade. Um dia, então, essa pessoa se vê diante do colapso físico ou psíquico, ou então diante do colapso da família. O trabalho não é reconhecido por esta. Ela sente que essa pessoa se esconde atrás do trabalho, que tem necessidade dele, que suas alegações de que trabalha pela família não correspondem à realidade. E assim a pessoa é cada vez mais rejeitada. Por fim ela se encontra sozinha, sem a família pela qual supostamente trabalhara com tanta dedicação. 

GRÜN, ANSELM. A chance de recomeçar. São Paulo: Verus Editora. 2007

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A purificação da vanglória e do orgulho

A humildade é o rosto sob o qual nos aparece o conhecimento de Deus, conseguido na oração e no amor. Conhecimento da glória de Deus que resplandeceu sobre a face de Cristo (ver 2Cor 4,6). Nossa humildade é o próprio rosto de Cristo inscrito no nosso coração pelo seu Espírito. Por isso ela não pode ser conhecida; de fato, é um grande mistério. O único remédio para nosso orgulho egocêntrico é o Amor de Cristo em nós. Olhemos Cristo para ser, como ele, "manso e humilde de coração". Os Padres gostavam de opor Cristo a Satanás, a humildade (ver Fl 2, 5-11) ao orgulho (ver Is 14,14) ou, para dizer como Agostinho, "o amor de Deus levado até o desprezo de si" e "o amor de si levado até o desprezo de Deus". 
A humildade é o adorno da divindade. Dela se vestiu o Verbo feito carne, através do corpo do qual ela se tornou nossa. Quem se revestir realmente dela assemelha-se àquele que desceu de seu esplendor cobrindo a sua glória de humildade, a fim de que a criação não fosse consumida por sua vista manifesta demais. 
Jesus Cristo é um Deus do qual nos aproximamos sem orgulho, e sob o qual nos abaixamos sem desespero. 
O conhecimento de Deus sem o conhecimento da miséria leva ao orgulho. O conhecimento da miséria sem o conhecimento de Deus leva ao desespero. O conhecimento de Jesus Cristo leva ao meio, porque aí encontramos tanto Deus como nossa miséria. 

O Discernimento dos Espíritos. São Paulo: Paulinas. 2011

* o livro foi escrito por um monge da Ordem dos Cartuxos que preferiu permanecer no anonimato. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Estigma

Foram bem tristes os primeiros meses de 1918. A guerra e a gripe "espanhola" haviam matado muitos da população e do convento. Não posso deixar de lembrar, dentre as vítimas daquela epidemia, dois dos três videntes de Fátima, Francisco e Jacinta. O convento de Santa Maria delle Grazie foi reduzido a três freis: padre Paolino, o superior; frei Nicola, um frei pedinte; Padre Pio que apenas pegou a "espanhola", graças ao Céu, de modo rápido, mas ficou de cama de 5 a 17 de setembro. Esse era o pequeno grupo conventual. 
Na manhã de sexta-feira, 20 de setembro, Festa dos Estigmas de São Francisco, depois da Missa, Padre Pio rezou tudo sozinho, no coro. Quase sem perceber, viu-se tomado por uma doce sono, acompanhado por uma completa sensação de paz. De improviso, ele se dirigiu àquele crucifixo que estava diante de si e que sempre esteve firme, no balaustre do coro. 
Mas naquele momento, o crucifixo assumiu o semblante daquele personagem celeste que em 5 de agosto lhe havia traspassado o coração. Com uma diferença, desta vez o personagem tirou sangue abundante das mãos, dos pés e do coração, de repente, desapareceu. 
Padre Pio, que ficou bastante assustado com aquela visão, sentiu-se ferido naquelas mesmas partes: nas mãos, nos pés e no coração; sentiu-se traspassado e não parava de sangrar.
Foi engatinhando até a cela, onde tratou de enfaixar os lugares feridos.
Escreveu sem seu diário espiritual os sentimentos que havia provado e que continuava experimentando: dor, crítica, humilhação, confusão. Não tinha paz; não sabia como comportar-se com os irmãos, com os outros. Invocou, suplicando ao Senhor com todas as suas forças:
- "Permita-me a dor, aumenta-a se o Senhor quiser, mas livra-me das marcas visíveis. Dá-me a graça de que não sejam vistas!" 

AMORTH, Gabriele. Padre Pio - breve história de um santo. São Paulo: Palavra e Prece. 2010.

Ps.: postagem dedicada aos amigos Germano e Manuela Martinez. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Homeschooling Católico - Um guia para os pais

Desde cedo escuto que o problema central no Brasil reside na educação. Trata-se de uma questão ampla que, não raras vezes, quer significar tão somente a educação dada ou recebida nas escolas. Incluso no conceito amplo de educação está certamente o modo como alguém se porta diante das situações da sociedade. Creio que este segundo ponto se trate de um falso problema. 
Não é necessário muito tino para entender que o modo como alguém se porta em suas relações com outrem é derivado necessariamente do como como foi educado. A meu ver, educação não é um conceito restrito a escolas ou à escolarização, como defendem alguns políticos. 
Do ponto de vista cristão, a educação que não leva o educando a formar-se e a desabrochar todas as suas potencialidades intelectuais e religiosas não é digna desse nome. 
Como pode se constatar na história bimilenar da Igreja, bem cedo a temática da educação integral foi uma constante. Os velhos métodos das antigas academias, com seus modos rudes de ensinamento naturalista, contrastavam com a autêntica vivência cristã. Ato contínuo vimos milhares de homens e mulheres povoarem os desertos em busca de mestres na vida espiritual e intelectual, em uma espécie de fuga ao debate com os pagãos, naturalistas e demais gentios. Um aprofundamento da leitura do Novo Testamento levou alguns cristãos formados nas escolas antigas a buscar a confrontação, pois perceberam que eram as cidades o centro das disputas, a ali, portanto, Cristo também devia imperar com sua nova lei. 

CLARK, Mary Kay. Homeschooling Católico. Um guia para os pais. São Paulo: Concreta. 2016