São inúmeros os trechos do Novo Testamento em que o Espírito Santo é apresentado, direta ou indiretamente, como o dom de Deus. "Se tu conhecesses o dom de Deus...", diz Jesus à Samaritana (Jo 4,10); o contexto, que fala da água vida, sempre levou a pensar que se está a aludir ao Espírito Santo (cf. Jo 7,38s). Seja como for, o certo é que, nos Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo é definido como "Dom de Deus": "Arrependei-vos[...]. Depois recebereis o dom do Espírito Santo.
O genitivo "do" Espírito Santo significa não é senão o próprio Espírito Santo. Outras vezes, porém, o sujeito e o objeto do dom são distintos, e o Espírito Santo surge como o dom que o Pai ou Cristo concedem aos fiéis: "Por isto se conhece que permanecemos nele e ele em nós: ele concedeu-nos o dom do seu Espírito" (1 Jo 4,13).
O próprio Espírito é denominado também "o dom celestial" (Hb 6,4), ou simplesmente, "o dom" que Deus concedeu aos apóstolos no Pentecostes (cf. At 11,17).
O primeiro a valorizar este título bíblico do Espírito Santo foi Santo Irineu: "À Igreja foi confiado o dom de Deus, como outrora o sopro à criatura formada (Gn 2,7), para que todos os membros, dele partícipes, sejam vivificados".
CANTALAMESSA, Raniero. Vem, Espírito Criador! Meditações sobre o Veni creator. São Paulo: Canção Nova. 2014.

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